Capitulo 11 – Jantar familiar
Minha vontade era de abrir a porta e
falar para os dois se resolverem sem mim. Difícil porque quando olhei para trás
Louis já não estava mais na sala. Caminhei até a porta e abri. Gabriel me olhou
dos pés a cabeça e eu fiz o mesmo. Terno azul marinho, gravata cinza. Sim, ele
estava extremamente delicioso daquele jeito. Minha vontade era de deixa-lo nu e
irmos para o que interessava. Mas não ia ser dessa vez.
- Seja Bem Vindo Gabriel! – falei
quando abri a porta.
- Obrigado... Posso entrar?
- Claro, fique a vontade. – a nossa
ironia era tão grande que dava até vontade de rir.
- Apesar de ficar em um lugar ruim,
até que sua casa é bonitinha – disse ele observando a casa enquanto entrava –
Dá pra sobreviver aqui?
- Na verdade dá.
- Pensei que você estivesse rica
Margareth.
- Na verdade só estou aqui porque
estou esperando minha nova cobertura ficar pronta.
- Sério? Uma cobertura? – ele riu –
Incrível! Onde irá ficar?
- Não viemos falar sobre minha
cobertura ou sobre meu novo endereço, podemos ir ao que realmente interessa? –
caminhei até a mesa esperando que ele me seguisse.
- Claro! Que indelicadeza a minha,
não? – ele disse enquanto puxava a cadeira para que eu me sentasse – Sente-se!
- Obrigada! – sentei-me – Então
Gabriel, espero que goste da comida.
- Engraçado ela já estar servida. Onde
estão seus empregados?
- Na verdade de folga. – eu ri – Não
sou tão ruim como pareço.
- Claro! Quem diria não? Só é má
quando esta comigo. – ele abriu um sorriso irônico.
- Não fui má com você! É simples, eu
te perguntei coisas e você não me dava respostas – eu sorri – logo, não merecia
minha compaixão.
- Você continua a mesma...
- E você o mesmo de sempre... Fraco,
sem talento! – Exclamei enquanto me servia.
- Fraco? Sem talento? – ele gargalhou
– Não foram essas as suas palavras depois que transamos um dia desses.
Eu calei-me. Maldito! Onde ele queria
chegar? Ficar relembrando de como ele me fez gozar e pirar não era o melhor
assunto para aquele jantar, pior ainda porque Louis estava ouvindo tudo. Depois
de servirmos o jantar, comemos e ficamos calados por um bom tempo, até que
Gabriel ficou brincando com seu copo de vinho e me perguntou.
- Você realmente não sente nada por
mim? – ele falava enquanto passava o dedo na borda do copo de vinho.
- O que você quer dizer com sentir? –
tentei escapar.
- Não se faça de ingênua... Você não é
nem um pouco ingênua! – ele sorriu.
- Sinto raiva, ódio, nada muito
diferente do que você já tenha imaginado.
Certo... Raiva e ódio? Eu poderia ter
gritado pra ele que sentia amor, tesão, saudade, vontade, prazer e mais um
bilhão de coisas. Mas eu não podia dar todo esse privilégio para ele.
- Amor e ódio então? – ele perguntou.
- Eu não usei a palavra amor... –
estremeci.
- Mas pensou... – ele percebeu que a
garrafa de vinho havia acabado – você tem mais desse vinho? Pelo menos você tem
bom gosto para bebidas...
- Claro, tenho na cozinha! Vou pegar
para você. – respondi gentilmente tentando fugir do “você pensou em amor
Margareth” que ele quis dizer.
- Não! Fique ai, eu pego, não se
incomode. – ele sorriu e levantou-se.
- Está no canto da cozinha, a minha
adega.
- Certo. – ele foi andando até a
cozinha.
O que eu disse? O que eu fiz? Será que
dei todas as pistas de como eu estava me sentindo? Eu devia ter me comportado
diferente. Que droga! A essa medida do tempo eu já tinha quase entregado tudo
com o meu nervosismo. E só fiquei esperando ele trazer o vinho, que pareceu
demorar um século. De repente escutei um barulho de garrafa quebrando e gritei
“Gabriel? Está tudo bem?” ele não me respondeu.
Levantei-me da mesa preocupada e
peguei a minha arma de baixo da cadeira. Fui andando lentamente até a cozinha e
me deparei com a garrafa na mão de Louis.
- Mas o que é isso? – perguntei.
- Está feito! Agora você está livre
Sra. Maggie! – respondeu Louis.
- Livre?
- Ele deve ficar apagado por uns dez
minutos, então você tem esse tempo para dar um fim nele.
- Louis! O que está acontecendo? Ele é
seu neto, você não ia conversar com ele? Porque fez isso? – eu só conseguia
perguntar e querer respostas – E porque diabos você “apagou” ele?
- Não acredito que com tantos anos de
golpes você realmente acreditou em toda aquela história. Eu jurava que você era
um pouco mais esperta a ponto de ficar brincando sobre tudo aquilo que disse. –
Louis abriu um sorriso e apontou uma arma para mim.
- Você só pode estar brincando.
- Abaixe a arma... – ele olhou para
mim e atirou no canto da porta – Ande! Abaixe!
- Certo! Não precisa estressar... – eu
joguei a arma no chão – Então você quer que eu o mate? Ok, eu faço!
- Você acha que me engana Margareth? –
ele riu – Acha mesmo? Você o ama!
Louis caminhou rapidamente até mim e
apontou a arma para minha cabeça. Ótimo! A única pessoa que eu pensei que
pudesse confiar acabará de me apunhalar pelas costas. Mas que estúpida! Tudo
por um momento me pareceu tão obvio e eu deixei passar. O que eu faria então?
Ele me levou até o quarto e antes que eu pudesse pensar tudo ficou escuro.
Acordei com a cabeça doendo. Eu
parecia meio tonta e ainda tentava me encontrar em que local exatamente eu
estava. Pisquei meus olhos umas cem vezes até perceber que estava no canto do
meu quarto e minha cabeça sangrava. Ótimo! Mais uma cicatriz para coleção.
Olhei para frente e lá estava Louis. Sentado em uma cadeira olhando e sorrindo,
como se me ver ali, quase desmaiada o desse prazer.
- Qual é o seu joguinho hein? –
perguntei.
- Não tem jogo. Você foi tola o
bastante para se apaixonar pelo golpista que matou toda a minha família.
- Sua família? – me espantei – Não
venha com essa de contar mais histórias mentirosas para mim.
- Não preciso contar se você não
quiser...
- Agora desembucha. – eu passava a mão
na cabeça – Posso lavar isso pelo menos?
- É obvio que não! Enfim, o que você
quer saber?
- Porque ele matou toda a sua família?
Louis levantou-se e se aproximou de
mim. Agachou, colocou a mão no meu queixo segurando-o e sorriu.
- Matou minha mulher, filhos, mas só
sobrou uma das minhas filhas, que havia fugido quando mais nova.
- Certo! Então ele não matou todos!
- Exceto você Margareth Milles... Qual
é a sensação de ver seu pai tanto tempo depois? – ele sorriu e encostou a arma
na minha cabeça.

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